Novum Organum – Francis Bacon (1620)

Postado em 1 em 6 Junho, 2008 por Chicão Guimarães

     “Por outro lado, nos costumes das instituições escolares, das academias, colégios e estabelecimentos semelhantes, destinados à sede dos homens doutos e ao cultivo do saber, tudo se dispõe, de forma adversa ao progresso das ciências. De fato, as lições e os exercícios estão de tal maneira dispostos que não é fácil venha a mente de alguém pensar ou se concentrar em algo diferente do rotineiro. Se um ou outro, de fato, se dispusesse a fazer uso da sua liberdade de juízo, teria que, por sí só, levar a cabo tal empresa, sem esperar receber qualquer ajuda resultante do convívio com os demais. E, sendo ainda capaz de suportar tal circunstãncia, acabará por descobrir que a sua indústria e descortino acabarão por se constituir em não pequeno entrava à sua boa fortuna. Pois os estudos dos homens, nesses locais, estão encerrados, como em um cárcere, em escritos de alguns autores. Se alguém deles ousa dissentir, é logo censurado como espírito turbulento e ávido de novidades. (…)”

Tá bom?

Cuspe, giz, data show e power point.

Postado em A boa educação em 6 Junho, 2008 por Chicão Guimarães

 

     Muito se tem debatido sobre as novas tecnologias disponíveis e suas aplicações didático-pedagógicas. Além de recursos de vídeo (DVDs e afins), utilizados há algum tempo, as escolas de ensino fundamental e médio da rede particular (incluindo cursinhos pré-vestibulares e faculdades) investem cada vez mais na aquisição de sofisticados equipamentos multimídia. Computadores, data show, lousas eletrônicas, interatividade, cursos à distância em tempo real. É verdadeiramente impressionante as transformações ocorridas no espaço físico das salas de aula nos últimos 10 anos. E acho que estamos apenas no começo.

     Toda esta gama de modificações coloca no centro do debate a adequação (ou não) do uso de tais tecnologias, sobretudo no que concerne aos alunos das séries que embasam a formação intelectual dos futuros profissionais das mais diversas áreas de atuação. Após uma experiência de 41 anos dentro da escola (já que entrei aos 4 e nunca mais saí), sendo quase 25 como professor, levanto as seguintes ponderações:

     – considero bem vindas as novas tecnologias. A meu ver tais recursos podem e devem ser utilizados por professores de todas as áreas do conhecimento. Se existe disponibilidade das mais diversas formas de imagens (fotos, gráficos, mapas, pinturas, animações, etc.) pela internet porquê não usá-las?

     – não devemos nos esquecer que as tecnologias não são um fim em sí mesmas. Sem a devida mediação exercida pelos professores certamente qualquer informação veiculada cairá no vazio, será não-informação. Cabe aos profissionais, em sala de aula, verificar se os alunos estão acompanhando, copiando em seus cadernos as matérias, resolvendo os exercícios propostos, enfim, se o ‘timing’ da ação de ensino está correto. Acredito que professores sejam capazes (se tiverem formação adequada e interesse) de avaliar e redirecionar (se for o caso)  suas prioridades e seu ritmo.

    – trabalhamos com pré-adolescentes e adolescentes. No mundo ideal todos seriam interessadíssimos por todos os assuntos propostos, adorariam seus professores, não conversariam. As aulas seriam verdadeiros prodígios do ‘logos’ humano. No entanto temos alunos reais, com problemas reais (de formação, familiares, psicológicos), com interesses que, não sejamos ingênuos, na maioria das vezes passam longe dos conteúdos de sala de aula. Somos também professores reais (sic). É preciso repensar os conteúdos, as formas de avaliação, a própria escola. Mas aí…já é uma outra história…

São Francisco Xavier literata

Postado em Notas em 4 Junho, 2008 por Chicão Guimarães

Acho que agora vai.
Foi realizado em São Francisco Xavier, no último fim de semana, o Festival da Mantiqueira – Diálogos com a Literatura. Contando com a presença de pesos-pesados como Suzana Amaral, Milton Hatoum, Nelson Motta, Zuenir Ventura, Mário Prata, Marcelo Rubens Paiva, Fernando Morais, Orquestra Sinfônica de São José dos Campos entre outros, o Festival trouxe ao distrito gente inteligente e bacana. O frio ajudou ainda mais a criar um frisson que há muito não se via por estas bandas.
Bons papos, boa música. Boas letras.

Internet e Burocracia

Postado em Notas em 4 Junho, 2008 por Chicão Guimarães

Valha-me Senhor!
Hoje conhecí o buraco negro da burocracia internética. Pedí à minha amiga e blogueira Liliana (Chá de Hortelã), moradora de São Chico dos Xavier, apaixonada por cães e outros bichos, que me desse uma força para melhorar o conteúdo d’Um Mínimo de Competência. Fui apresentado ao GoogleReader,
ao FeedBurner, ao Technocrati, ao Blogblogs e sei lá mais o quê. Depois de duas horas e meia de logins, senhas, salvar senhas, confirmar senhas, alterar, editar, salvar alterações, copiar, colar, linguagem html (que diabo é aquilo????), receber e-mails de confirmação eis que Um Mínimo de Competência se apresenta devidamente ao mundo. Eu digo: oi mundo, zuzo?
Liliana disse também que ainda falta registrar meu domínio, conhecer o Twiter (é assim mesmo?)e ter Skype no meu celular. Acho que vou tomar um porre no GoogleBeer. Aí sim.

Postado em 1 em 4 Junho, 2008 por Chicão Guimarães

Motosserra Blues

Postado em Bons sons em 30 Maio, 2008 por Chicão Guimarães

É um blues de 12 compassos (E/E/E/E/A/A/E/E/B/A/E/B), composto por mim, Auro Lúcio E Keila Guimarães na Padaria do Clélio em São Francisco Xavier (SP). A música foi dedicada ao Walter (sei lá o sobrenome), que tem cortado e retirado toras e toras de madeira da serra que emoldura o distrito. Cara batuta ele…

Motosserra Blues

Chegando em São Chico/ Olhei a montanha

Lá em cima do morro/ ví uma coisa estranha

A mata cortada/ A serra pelada

Nesta toada/ Não sobra mais nada

Mantenha em São Chico/ A paisagem mais bela

Enfia a motossera na goela

Já vi capivara/Macaco Bugio

Cobra Coral/ E peixe no rio

E se você não é daqui/ Vê se preste atenção

Não jogue meu amigo/ Seu lixo no chão

A mata é tão limpa/ Não deixe ela imunda

Enfia a motossera na bunda

Já tô de saco cheio/ Já cansei de gritar

Não aguento reunião/ Já não dá prá esperar

Se putaria é livre/ Nêgo faz o que quer

É hora de ir pro pau/ Seja o que Deus quiser

Quem pisa na bola/ Acaba levando nabo

Enfia a motossera no rabo

Lotearam o distrito/ Arrancaram madeira

E o que fez você/ Que está aí de bobeira?

É grana no bolso? de quem está na jogada

Se não derem um jeito/ Vou partir prá porrada

Eu quero a mata verde/ Água pura e céu azul

Enfia a motossera/ Enfia a motossera/ Enfia a motossera NO CU!

Um Mínimo de Competência

Postado em Bons sons em 29 Maio, 2008 por Chicão Guimarães

Assim foi:

certa segunda-feira eu e Maria Cristina chegamos por volta das 6:40 hs da manhã em São José dos Campos. Às 7:00 eu entraria em sala de aula para mais um dia de transmissão de gloriosos conhecimentos históricos. Quando estávamos no estacionamento ela disse: “preciso ir ao banheiro.” Àquela hora??? Respondí que tal façanha só seria possível na escola. Então fomos. Entramos de mãos dadas no saguão sob olhares curiosos dos alunos que já haviam chegado. Maria Cristina é uma bela mulher e atraiu a atenção daqueles adolescentes. Pouco depois nos despedimos com um beijo e me dirigí à sala de aula. Primeira pergunta do dia: “professor, quem era aquela mulher?” Respondí que era minha namorada e percebí as caras de espanto tipo “como assim?” Eu, de sacanagem, perguntei: “gostaram?” A turma começou a ficar agitada. Logo emendei: “uma dica para os rapazes nunca se esquecerem. São três coisas fundamentais: boa música, boa culinária e um mínimo de competência.” A sala veio abaixo. Tenho dito.