Cuspe, giz, data show e power point.

 

     Muito se tem debatido sobre as novas tecnologias disponíveis e suas aplicações didático-pedagógicas. Além de recursos de vídeo (DVDs e afins), utilizados há algum tempo, as escolas de ensino fundamental e médio da rede particular (incluindo cursinhos pré-vestibulares e faculdades) investem cada vez mais na aquisição de sofisticados equipamentos multimídia. Computadores, data show, lousas eletrônicas, interatividade, cursos à distância em tempo real. É verdadeiramente impressionante as transformações ocorridas no espaço físico das salas de aula nos últimos 10 anos. E acho que estamos apenas no começo.

     Toda esta gama de modificações coloca no centro do debate a adequação (ou não) do uso de tais tecnologias, sobretudo no que concerne aos alunos das séries que embasam a formação intelectual dos futuros profissionais das mais diversas áreas de atuação. Após uma experiência de 41 anos dentro da escola (já que entrei aos 4 e nunca mais saí), sendo quase 25 como professor, levanto as seguintes ponderações:

     – considero bem vindas as novas tecnologias. A meu ver tais recursos podem e devem ser utilizados por professores de todas as áreas do conhecimento. Se existe disponibilidade das mais diversas formas de imagens (fotos, gráficos, mapas, pinturas, animações, etc.) pela internet porquê não usá-las?

     – não devemos nos esquecer que as tecnologias não são um fim em sí mesmas. Sem a devida mediação exercida pelos professores certamente qualquer informação veiculada cairá no vazio, será não-informação. Cabe aos profissionais, em sala de aula, verificar se os alunos estão acompanhando, copiando em seus cadernos as matérias, resolvendo os exercícios propostos, enfim, se o ‘timing’ da ação de ensino está correto. Acredito que professores sejam capazes (se tiverem formação adequada e interesse) de avaliar e redirecionar (se for o caso)  suas prioridades e seu ritmo.

    – trabalhamos com pré-adolescentes e adolescentes. No mundo ideal todos seriam interessadíssimos por todos os assuntos propostos, adorariam seus professores, não conversariam. As aulas seriam verdadeiros prodígios do ‘logos’ humano. No entanto temos alunos reais, com problemas reais (de formação, familiares, psicológicos), com interesses que, não sejamos ingênuos, na maioria das vezes passam longe dos conteúdos de sala de aula. Somos também professores reais (sic). É preciso repensar os conteúdos, as formas de avaliação, a própria escola. Mas aí…já é uma outra história…

2 Respostas para “Cuspe, giz, data show e power point.”

  1. Pois é Chicão, se for para motivar o aluno, toda forma de ação pedagógica vale a pena. Num mundo cheio de novas tecnologias, a sala de aula ficou defasada, só o professor, por melhor que ele seja, não prende a atenção dos adolescentes o tempo todo. Desde o tempo em que dona Sonia (minha professora de geografia) levava para a sala de aula aquele mapão de papel e o pendurava na lousa eu já sabia que “uma imagem diz mais que mil palavras”. Fragmetos de filmes, fotografias, gráficos, músicas e tudo o mais, estimulam o aluno a treinar suas habilidades.
    Moema.

  2. Você se lembra que a televisão ia acabar com o rádio? E o cinema por sua vez acabaria com a televisão? Depois veio o video cassete (hoje DVD) que ia acabar com o cinema …
    Um não se opõe ao outro, na verdade são complementares!
    Já participei de muitas discussões sobre o pqpel da tecnologia na educação. Já ouvi besteiras do tipo: os recursos tecnológicos vão substituir o professor, uma vez que os softwares educaionais são intuitivos e vêm acompanhado de tutorial, etc.
    Será que dá pra entender que um não se opõe ao outro? …
    Viva a tecnologia. Viva quem sabe usá-la com sabedoria.
    Viva o poder da palavra. Ela é o nosso principal recurso pedagógico-educacional. É verdade que uma imagem fala mais do que mil palavras, mas os alunos precisam aprender a traduzir em palavras (falada e escrita)as imagens que veem.
    Meu neto vai fazer 4 anos. Ele adora ver Nemo, A Era do Gelo e etc. Ele fica estático diante da TV. Ele me pede para ligar o computador, abrir o youtube para assistir Pica-pau. É totalmente tecnológico. Mas quando eu começo a contar um história (e tem que saber contar a história!!!!!) ele VIAJA. Não fica estático, ele participa, torce, dá risada, tem medo … é o poder da palavra! …
    Coisa de velho.

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